A venda do descanso
A venda do descanso
O que dirá o zelador João Antônio (nome fictício), de 74 anos, que há 17 anos não sabe o que é férias? “É difícil tirar férias porque, no local onde trabalho, não existe outra pessoa para ocupar minha função”, diz, resignado. Ele, então, costuma “vender” as férias - algo que legalmente não é permitido, mas é feito por muitas empresas de forma camuflada. Assim, não descansa, mas engorda o orçamento.
Apesar disso, ele afirma não se sentir cansado, mas a filha dele, Ludmila (nome fictício), entrega: “Ele gostaria, sim, de poder tirar férias para viajar, rever a família.” O zelador nasceu em uma cidade do Interior do Estado de São Paulo e nem se lembra quando foi a última vez em que esteve lá. No entanto, esse desejo deverá ser realizado em 2007 quando, segundo Ludmila, o pai vai exigir o direito de tirar férias.
O publicitário Roberto Carlos dos Santos, 41 anos, decidiu “vender” as férias para ganhar um dinheiro a mais há nove anos, quando estava de casamento marcado com a esposa, Kelly, de 39 anos. “Não reclamo, pois foi bom financeiramente, ajudou bastante. Mas depois senti muito cansaço”, lembra.
O trabalhador tem o direito garantido por lei de vender um terço de suas férias (10 dias) e folgar os 20 restantes. Dependendo a função, o médico Gleidson Cuence indica os 30 dias, já que o corpo, acostumado a um ritmo acelerado, “demora um pouco” para desacelerar. “A pessoa deve avaliar como se sente”, orienta.
Porém, tanto em um como em outro caso, descansar é fundamental.
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