Mercado de trabalho ainda é mais difícil para a mulher
Mercado de trabalho ainda é mais difícil para a mulher
Na semana em que se celebra o 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, uma pesquisa do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) e da Fundação Seade, realizada em 2007 em cinco regiões metropolitanas (Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo) e no Distrito Federal, mostra que a mulher ainda tem longo caminho a percorrer na busca por uma melhor inserção no mercado de trabalho. Mesmo com a queda nas taxas de desemprego e expansão do número de vagas, verificadas em todas as regiões, persistiu a desigualdade de oportunidades entre homens e mulheres no mercado de trabalho.
"É que as oportunidades ficaram concentradas na construção civil, na indústria e em segmentos dos serviços mais ligados à produção, que incorporam menos as mulheres", explica a economista do DIEESE Patrícia Lino Costa. Num certo sentido, segundo ela, 2007 marcou a queda do desemprego, mas também consolidou a predominância das mulheres entre os desempregados.
Segundo o levantamento, em todas as regiões pesquisadas, a taxa de desemprego foi superior para as mulheres em relação aos homens, como mostra a tabela abaixo.
Taxas de desemprego total segundo sexo
Distrito Federal e regiões metropolitanas - 2007 - em %
| Regiões | Homens | Mulheres |
| Belo Horizonte | 8,9% | 15,9% |
| Distrito Federal | 14,7 | 20,7 |
| Porto Alegre | 10,2 | 16,0 |
| Recife | 16, 9 | 23,1 |
| Salvador | 18,4 | 25,3 |
| São Paulo | 12,3 | 17,8 |
PED-Pesquisa de Emprego e Desemprego
Rendimentos
Em relação à renda, houve queda na diferença de rendimentos entre homens e mulheres. Exceto na Região Metropolitana de São Paulo, onde o rendimento médio das ocupadas apresentou estabilidade (-0,2%), nas demais áreas, ocorreram elevações nos ganhos do trabalho feminino, que variaram entre 7,0%, no Distrito Federal e 3,4%, na Região Metropolitana do Recife.
A explicação para essa melhora na comparação está na renda masculina, que teve desempenho considerado pouco favorável. Outra razão pode estar na política de valorização do salário mínimo, remuneração paga para a maior parte das mulheres que está no mercado de trabalho.
Entretanto, mesmo este resultado ligeiramente melhor, quando analisado mais de perto, mostra a persistência de forte desigualdade na remuneração entre homens e mulheres. Ao considerar o rendimento por hora, indicador que desconta os efeitos da menor jornada de trabalho média das mulheres, em 2007, segundo a pesquisa, a remuneração feminina por hora equivalia entre 84,3% (Recife) e 74,6% (Distrito Federal) daqueles recebidos pelos homens.
Veja outras notícias sobre a mulher no mercado de trabalho no mundo (em inglês):
http://www.wageindicator.org/main/WageIndicatorgazette/newsflash2008
Last modified 2008-03-07 16:59