Combate à violência doméstica começa a ganhar adesão de empresas
A violência doméstica contra as mulheres ainda é uma realidade perversa no Brasil. Segundo a Sociedade Mundial de Vitimologia, organismo ligado à Organização das Nações Unidas (ONU), 23% das brasileiras são vítimas de violência doméstica, o que significa que 20 milhões de mulheres vivenciam este drama no País.
A violência doméstica contra as mulheres ainda é uma realidade perversa no Brasil. Segundo a Sociedade Mundial de Vitimologia, organismo ligado à Organização das Nações Unidas (ONU), 23% das brasileiras são vítimas de violência doméstica, o que significa que 20 milhões de mulheres vivenciam este drama no País.
Além da violência em si e dos problemas psicológicos e sociais decorrentes, o último levantamento feito pelo Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento, feito em 2005, mostrava que um em cada cinco dias de falta ao trabalho no mundo é causado pela violência sofrida pelas mulheres dentro de suas casas; que a cada cinco anos, a mulher vítima de violência doméstica perde um ano de vida saudável; que o estupro e a violência doméstica são sérios fatores de incapacidade e morte de mulheres em idade produtiva.
É com base em dados como esses que várias campanhas de combate à violência contra a mulher são desenvolvidas, tanto por iniciativa de órgãos públicos quanto de organizações não governamentais. E agora começa, timidamente, a ganhar a adesão da iniciativa privada, que está percebendo que – com a presença cada vez maior das mulheres no mercado de trabalho – é necessário dar atenção às profissionais além do cotidiano corporativo.
A pesquisa Ação Social das Empresas, feita pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Avançadas (Ipea), aponta que iniciativas voltadas às mulheres ainda estão em último lugar entre os públicos-alvos escolhidos pelas empresas, representando 6% dos investimentos. Para João Francisco de Carvalho, presidente da The Key Consultoria e gestor da Campanha Bem Querer Mulher, esta baixa adesão pode ser explicada: para as empresas, a violência doméstica está associada a imagens muito negativas, o que inibe o seu investimento em ações para o enfrentamento do problema.
Ele avalia que, com a Lei Maria da Penha, sancionada em 2006 – que visa coibir a violência contra a mulher, especialmente a violência doméstica e familiar, proteger e oferecer atendimento de saúde adequado à vítima e a seus dependentes – o assunto, aos poucos, está deixando de ser um tabu e, com isso, impulsionando ações, especialmente em empresas cujo público principal seja o feminino. É o caso da Avon, por exemplo, que mundialmente tem empreendido campanhas contra a violência doméstica.
Mais coragem
Ao abraçar a causa, empresas e organizações sociais estão contribuindo para que as mulheres percam o medo de denunciar as agressões sofridas, especialmente nos últimos três anos, desde que a Lei Maria da Penha está em vigor. De acordo com levantamento da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, da Presidência da República, a sua Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180) tem, a cada ano, registrado número crescente de chamadas. No ano passado, houve um aumento de 32% em relação a 2007, o que representou quase 270 mil atendimentos. E a busca de informações sobre a Lei Maria da Penha cresceu 245%.
O coordenador da Central, Pedro Ferreira, atribuiu o aumento do número de denúncias de violência à mudança de comportamento das mulheres, que vêm perdendo o medo de falar e de buscar ajuda e estão tendo mais informações sobre a Lei. “A sociedade também está mudando e, além disso, a central é um instrumento de fácil acesso e gratuito para todo País”, diz.
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