Filhos portadores de necessidades especiais, mães trabalhadoras

Creches e escolas são fundamentais para que as trabalhadoras que são mães possam exercer suas funções com tranqüilidade. Para aquelas que têm filhos com necessidades especiais apenas escolas e creches não bastam. Elas precisam de uma retaguarda: normalmente pessoas da família ou alguém que contratam para ajudá-las, além de patrões compreensivos.

Creches e escolas são fundamentais para que as trabalhadoras que são mães possam exercer suas funções com tranqüilidade. Para aquelas que têm filhos com necessidades especiais apenas escolas e creches não bastam. Elas precisam de uma retaguarda: normalmente pessoas da família ou alguém que contratam para ajudá-las, além de patrões compreensivos. "Ter filhos é um desafio. Imagine como é difícil ter filhos deficientes. Para cuidar do meu tenho anjos de guarda", diz a sindicalista Neuza Barbosa de Lima.

Seu filho Marcos Roberto, de 36 anos tem retardamento mental e doença renal crônica, que o obriga a fazer diálise quatro vezes ao dia. "A doença apareceu aos oito anos. Se tivesse feito o teste do pezinho, o problema poderia ser controlado através da alimentação. No entanto, foi feito um tratamento médico errado", afirma Neuza.

Diretora da Federação dos Trabalhadores na Alimentação do Estado de São Paulo e secretária da Mulher na Força Sindical, ela conta com a ajuda de sua filha Angela, que mora com ela, da amiga Kátia Cunha e com a compreensão do presidente da Federação, Melquíades Araújo. "Às vezes é imprescindível acompanhar meu filho. Ele ficou 90 dias hospitalizado e eu permaneci ao seu lado. O Araújo dizia: ‘filho em primeiro lugar’. Só me arrependo de não ter pedido pensão para o meu ex-marido porque o dinheiro era para meu filho", declara.

Apesar de todo trabalho que tem com Marcos Roberto, Neuza condidencia: "agradeço a Deus pela confiança que depositou em mim para cuidar dele, que é o meu porto seguro. Gosto do seu jeito carinhoso de me beijar e abraçar".

Aceitação
"Antes não me conformava, mas hoje em dia aceito muito a Laura", diz Lilian Boscione Vettorazzo, sobre a filha de seis anos, que é autista. Lilian ficou sabendo da doença quando a filha ia completar três anos. "Eu não acreditava. Como toda mãe, queria ter uma filha normal. De vez em quando tenho vontade de largar tudo e cuidar apenas dela, mas preciso trabalhar", ressalta.

"A Laura come sozinha, está progredindo e brinca com outras crianças", informa Lilian, que trabalha mais de quarenta horas por semana como secretária. Todos os dias, acorda às 5 horas, toma um ônibus e deixa a filha na casa da mãe, que se encarrega de levá-la à escola. De lá, Lílian pega outro ônibus e vai para o trabalho. Na volta, faz o mesmo trajeto e chega a casa às 21 horas.

No trabalho, explica Lilian, seus chefes são compreensivos. “Eles me deixam sair mais cedo quando preciso ir à escola conversar com a professora ou levá-la ao médico. Um dos meus patrões me ajuda a pagar os estudos da Laura”, diz.

Simone Manfrenato é inspetora em uma escola estadual e mãe de Tainá, de oito anos que tem retardamento da fala. "Antes, meu maior desejo era que ela falasse. Ela conseguiu. Agora, é que ela aprenda a ler e a escrever. Tainá está na escola de integração da prefeitura", diz a mãe, que comemora a cada progresso da filha.

O pai, segundo Simone, foi fundamental para a filha. Na época que a doença foi descoberta, ele estava desempregado e se encarregava de levá-la ao médico e à escola. "Agora estamos separados. De manhã tem transporte para a escola. Na volta, Tainá toma um ônibus até uma parte do trajeto. Uma amiga a espera e a traz para casa. Em alguns momentos fico nervosa, mas conto com a compreensão das pessoas, inclusive no meu trabalho. A diretora sempre me libera quando preciso tratar dos assuntos relacionados a ela. A Tainá será minha companheira para o resto da vida".

A história de Isabel Cruz, assistente administrativa da companhia de saneamento da Bahia, é ainda mais emocionante. Quando seu filho, Mateus, tinha três anos de idade uma convulsão lesou seus neurônios. Hoje, com 21 anos, ele anda normalmente, mas tem dependência total de outras pessoas para desempenhar funções básicas, como comer, tomar banho e ir ao banheiro. "Para cuidar dele tive de conciliar o trabalho, casa, marido e filho". Além disso, Isabel também cuidou de sua sobrinha Rose, com deficiência na perna devido à paralisia. "Fico feliz porque hoje minha sobrinha está trabalhando e, tenho esperança que a pesquisa sobre células-tronco possa dar resultado e ajudar no caso do meu filho”.