Crescimento não diminui as diferenças entre homens e mulheres no mercado de trabalho
O crescimento econômico que marcou 2008 permitiu que, de maneira geral, as taxas de desemprego caíssem, mas não contribuiu para a redução das desigualdades entre homens e mulheres, no que se refere ao desemprego, à ocupação e aos rendimentos. É o que mostram os principais resultados da PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego), realizada por meio de convênio entre DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).
O
crescimento econômico que marcou 2008 permitiu que, de maneira
geral, as taxas de desemprego caíssem, mas não contribuiu para a
redução das desigualdades entre homens e mulheres, no que se refere
ao desemprego, à ocupação e aos rendimentos.
É
o que mostram os principais resultados da PED (Pesquisa de Emprego e
Desemprego), realizada por meio de convênio entre DIEESE
(Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos); Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados –
Seade (do governo do Estado de São Paulo); Ministério do Trabalho e
Emprego/Fundo de Amparo ao Trabalhador – MTE/FAT e diversos
parceiros regionais no Distrito Federal e nas regiões metropolitanas
de São Paulo, Recife, Porto Alegre, Belo Horizonte e Salvador.
Participação
no mercado de trabalho
Após interromper movimento de expansão entre 2005 e 2007, a taxa de participação das mulheres na Região Metropolitana de São Paulo voltou a crescer, ao atingir 56,4%, em 2008, diante dos 55,1% no ano anterior. Entre os homens, também houve aumento, embora com menor intensidade (de 71,4% para 72,0%).
Também
na Região Metropolitana de Recife, após ter apresentado
estabilidade entre 2006 e 2007, a taxa de participação das mulheres
cresceu, passando de 42,8%, em 2007, para 44,5%, em 2008, a maior de
toda a série pesquisada. Entre os homens, verificou-se crescimento
menos intenso que o observado para as mulheres (de 61,6% para 63,4%).
Na
Região Metropolitana de Porto Alegre, a taxa de participação das
mulheres no mercado de trabalho também foi a mais alta taxa da
série, passando de 49,0%, em 2007, para 51,4%, em 2008, crescimento
de 4,9%. Entre os homens, o crescimento foi menor (1,7%), de 65,8%
para 66,9%.
O
Distrito Federal também registrou aumento da participação feminina
no mercado de trabalho, entre 2007 e 2008, que passou de 59,4% para
60,2%. Entre os homens, a taxa manteve-se praticamente estável,
assinalando, em 2008, o percentual de 71,4%.
Na
regiões metropolitanas de Belo Horizonte e de Salvador, a
participação feminina no mercado de trabalho se reduziu, passando
de 54,1%, para 53,5%, e de 55,2%, em 2007, para 54,2%,
respectivamente.
Desemprego
Na
Região Metropolitana de São Paulo, a taxa de desemprego total
diminuiu pelo quinto ano consecutivo. Entre as mulheres, passou de
17,8%, em 2007, para 16,5%, em 2008. Entre os homens, decresceu com
maior intensidade, tal como nos três anos anteriores, chegando a
10,7%.
Em
Recife, o movimento foi semelhante, ou seja, o desemprego feminino
apresentou redução pelo quinto ano consecutivo, passando de 23,1%,
em 2007, para 22,9%, em 2008, o menor patamar da série. Entre os
homens, após um período de declínio nos três anos anteriores, a
taxa de desemprego ficou estável em 16,9%, em 2008.
A
taxa de desemprego total feminina na Região Metropolitana de Porto
Alegre teve expressiva redução, ao passar de 16,0%, em 2007, para
13,9%, em 2008, a menor dos últimos 13 anos. A masculina decresceu
numa proporção ligeiramente superior e ficou em 8,8%.
O
Distrito Federal também tem apresentado redução das taxas de
desemprego. Entre 2007 e 2008, a taxa caiu de 17,7% para 16,6%. Para
as mulheres, a taxa assinalou a mesma tendência, caindo para 19,8%
em 2008.
Em
Belo Horizonte, pelo quinto ano, o levantamento mostrou queda no
desemprego feminino. A taxa de desemprego retraiu-se em 20,1% entre
as mulheres, ao passar de 15,9%, em 2007, para 12,7%, em 2008,
enquanto entre os homens a queda foi de 19,1%.
Em
Salvador, a taxa de desemprego total feminina diminuiu também pelo
quinto ano consecutivo, ao passar de 25,3%, em 2007, para 24,1%, em
2008. Durante o mesmo período, a taxa da população masculina
também decresceu, porém em proporções mais intensas, chegando a
16,5% no último ano.
Rendimento
Em
2008, em todas as localidades pesquisadas, o rendimento hora das
mulheres foi inferior ao dos homens, como ocorria também em 2007. O
menor foi verificado em Recife (R$ 3,44), região em que os homens
recebiam R$ 4,20 por hora trabalhada; e o maior no DF, onde a
mão-de-obra feminina recebia R$ 8,36 por hora trabalhada e a
masculina, R$ 10,93.
Relação
família e trabalho
Todas
as regiões onde o Sistema PED realiza a Pesquisa de Emprego e
Desemprego elaboraram uma análise que procura verificar se há
diferenças nas condições que as mulheres enfrentam no mercado de
trabalho caso tenham ou não companheiro e/ou filhos.
As
maiores dificuldades são enfrentadas pelas mulheres chefes de
família com filhos, sem cônjuge. Sua taxa de desemprego é, em
geral, inferior do que a das mulheres cônjuges com ou sem filhos.
Esta situação fica clara nas regiões metropolitanas de Porto
Alegre (taxa de desemprego de 11,2%), São Paulo (11,8%); Belo
Horizonte (10,2%), Salvador (18,1%) e Distrito Federal (12,7%) onde
as taxas de desemprego são menores para as mulheres chefes. Em
Recife, a taxa de 18,2% é igual a apurada para cônjuges com filhos.
No entanto, em geral, esta mulher ocupa postos de trabalho com menor
remuneração e mais vulneráveis.
Dentre
as regiões pesquisadas, apenas em Salvador o rendimento médio real
por hora destas mulheres (R$ 4,93) tem valor equivalente ao das
cônjuges em casal sem filhos, mas ambos são maiores que o das
mulheres que tem filhos e um companheiro. Nas demais, o patamar de
vencimentos é sempre inferior. Em todas as regiões, as mulheres que
moram sozinhas têm o maior rendimento hora.
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