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Por que a inflação parece maior do que os índices divulgados?

09/03/2016

Não faz muito tempo que a inflação retornou aos noticiários brasileiros. O assunto tem se tornado frequente, porque os preços voltaram a subir no país. Mas será que você compreende bem o que é inflação e como ela afeta o seu dia a dia?

A principal característica da inflação é a remarcação dos preços para um valor maior. O reajuste pode ser provocado por uma série de motivos:

1 - Os gastos públicos são maiores do que a arrecadação. Para sanar o problema, o governo aumenta os impostos ou começa a emitir mais dinheiro. No primeiro caso, os preços sobem porque o custo é repassado para o consumidor. No segundo, devido à maior quantidade de dinheiro circulando em comparação com a quantidade de bens e serviços disponíveis para a venda.

2 - A inércia do mercado leva o trabalhador ou os empresários a acreditarem que haverá inflação. Para não perder poder de compra, o trabalhador reivindica aumento na remuneração. Por outro lado, a empresa aumenta os preços com medo de perder ganhos.

3 - Por indexação (ajuste), a inflação altera o valor de contratos, como o aluguel. Os valores reajustados passam a ser a base de cálculo para o próximo período, o que influencia nos valores do próximo cálculo.

4 - Quando as empresas produzem menos do que a demanda do mercado, a baixa produção faz com que a quantidade de dinheiro em circulação seja maior do que a oferta de bens e serviços à venda. Com poucos produtos a oferecer, as empresas ficam confortáveis para aumentar os preços, pois o consumidor está disposto a pagar mais para obter o serviço ou produto. Essa é a inflação de demanda.

5 - O aumento das taxas de juros e da carga tributária traz impactos sobre o custo dos bens e serviços oferecidos pelas empresas. Ao aumentar o custo de produção das empresas, elas repassam os custos para o consumidor.

6 - Empresas que combinam os valores de venda dos produtos ou restringem a produção formam cartéis e acabam provocando o aumento dos preços de produtos e serviços.

Por que sempre acho que a inflação é maior do que o divulgado?

A inflação interfere no poder de compra das pessoas. Com a inflação alta, o valor de bens e serviços aumenta. Na prática, é possível perceber a perda do poder de compra se compararmos o que conseguíamos comprar com R$ 10, há dois anos, e o que compramos hoje. Quanto maior a inflação, menor a quantidade de itens que conseguiremos comprar.

Com a alta do custo de vida, é muito comum ouvir as pessoas reclamando sobre a diferença entre os aumentos dos preços dos produtos e a inflação divulgada. Mas, apesar de muita gente não acreditar, os números não são fraudados. Apenas levam em consideração mais aspectos do que se imagina.

As pessoas não sentem a inflação do mesmo jeito porque existem diferenças entre os hábitos de consumo de uma região para outra, entre as famílias e os indivíduos, de acordo com o poder aquisitivo, e, principalmente, porque as pesquisas que medem o custo de vida são realizadas com base em uma cesta com centenas de produtos e serviços. Cada item tem um peso relativo no índice que mede a inflação. Se o preço da carne subiu 50%, isso não significa que a inflação será de 50% também, pois o produto influencia a cesta, mas há muitos outros itens que devem ser considerados na conta.

Além disso, as pessoas consomem produtos e serviços de maneiras distintas e o peso desses gastos varia conforme faixa de renda. Dessa forma, a alta no preço da carne pode não alterar os gastos dos vegetarianos, que não consomem o produto, assim como o aumento da mensalidade escolar não afeta o bolso de quem mantém os filhos na escola pública.

É uma combinação de diversos fatores que faz com que determinada pesquisa chegue a um índice de inflação. Por essa razão, o cálculo da inflação é complexo e é feito por diferentes levantamentos. Existem índices diferentes para calcular a variação dos preços. Para chegar às taxas, são analisadas diversas questões, como cesta de produtos, faixas de renda, regiões, itens, dias em que as pesquisas são realizadas.

Algumas pesquisas de inflação

A pesquisa mais citada é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculada pelo instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É conhecido como a inflação “oficial”, porque é realizada pelo principal órgão de pesquisa do governo. Quando você ouvir falar que a meta da inflação está sendo cumprida ou, como tem sito muito dito ultimamente, ultrapassou o centro da meta, estão utilizando esse levantamento como parâmetro.

Mas, além dessa pesquisa, há muitas outras, como o Índice do Custo de Vida na cidade de São Paulo (ICV), do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE); o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), também do IBGE; o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe); o Índice Geral de Preços (IGP), da Fundação Getúlio Vargas, etc.

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