20 de Novembro: Dia Nacional da Consciência Negra

As comemorações do Dia Nacional da Consciência Negra - 20 de novembro - completam 35 anos em 2006. A data será lembrada, com feriado, em 225 cidades, de 11 estados. Entre elas, estão três capitais: São Paulo, Rio de Janeiro e Cuiabá. Na capital paulista, pela primeira vez, o feriado municipal, instituído em 2004, coincide com um dia útil, devendo alterar a rotina da cidade.

As comemorações do Dia Nacional da Consciência Negra - 20 de novembro - completam 35 anos em 2006. A data será lembrada, com feriado, em 225 cidades, de 11 estados. Entre elas, estão três capitais: São Paulo, Rio de Janeiro e Cuiabá. Na capital paulista, pela primeira vez, o feriado municipal, instituído em 2004, coincide com um dia útil, devendo alterar a rotina da cidade.

Ativistas e principais organizações do movimento negro do país se uniram para realizar a primeira “Parada Negra de São Paulo”, uma marcha prevista para acontecer, a partir das 12h, desde o vão livre do MASP, na Avenida Paulista, um dos cartões postais da cidade.
 
Feriado
O Decreto-Lei 13.707/04, sancionado pela então prefeita Marta Suplicy, em janeiro de 2004, e que instituiu o feriado do Dia da Consciência Negra no calendário oficial de eventos da cidade de São Paulo, originou-se do Projeto de Lei 617/01, de autoria dos vereadores Ítalo Cardoso e Claudete Alves (PT-SP).

A capital concentra a maior população afrodescendente fora da África, estimada em 3,2 milhões de pessoas, de acordo com dados do IBGE.

Autorizado pelo governo local desde 1999, o município do Rio de Janeiro é o pioneiro na adoção do feriado de 20 de novembro, estendido depois para todo o estado. A data também já se tornou feriado oficial nos estados de Alagoas e Amapá, nas cidades de Cuiabá (MT) e Juiz de Fora (MG), e nos municípios paulistas de Campinas, Hortolândia, Rio Grande da Serra, Jundiaí, Sorocaba, São José do Rio Preto e Santa Bárbara d’Oeste.

A data
O 20 de novembro foi consagrado por representantes e lideranças do movimento negro brasileiro como o dia de homenagem à imortalidade de Zumbi dos Palmares (1655-1695) e os ideais de liberdade que simbolicamente o líder negro representa. A idéia foi discutida, em 1971, por iniciativa do Grupo Palmares, de Porto Alegre, sendo assimilada, em 1978, durante o Congresso do Movimento Negro Unificado contra a Discriminação Racial, mais tarde rebatizado Movimento Negro Unificado (MNU).

A reivindicação de lideranças e ativistas afrodescendentes ganharia força, ao inserir-se na agenda oficial, consagrando Zumbi como herói e a referência à data de sua morte, um dos fatores de maior impulso à consciência negra no Brasil. Desde então, teve início a luta da comunidade negra pelo reconhecimento de Zumbi como herói nacional, ainda hoje considerado por muitos como um símbolo “perigoso”, devido à sua capacidade, ainda que simbólica, de recuperar o negro como agente histórico em busca da própria liberdade.
 
Zumbi, um mito
Zumbi, considerado herói da resistência anti-escravagista, foi o grande líder do Quilombo dos Palmares, em Alagoas, o maior da história do Brasil, que durou mais de 60 anos e chegou a abrigar cerca de 20 mil pessoas, população significativa para a época. Registros históricos indicam que ele, descendente direto de guerreiros angolanos, teria nascido, em 1655, no quilombo.

Com poucos dias de vida, foi aprisionado pela expedição de Brás da Rocha Cardoso e entregue depois a um padre, que o batizou com o nome de Francisco. Aos 15 anos, fugiu da casa do padre e retornou a Palmares, onde mudou o nome para Zumbi. Ficaria conhecido, em 1673, quando a expedição de Jácome Bezerra foi desbaratada.

Um ano antes de sua morte, caíra em um desfiladeiro, após ser baleado durante combate contra as tropas de Domingos Jorge Velho, que, mais tarde, seria acusado de matá-lo. Dado como morto, Zumbi reapareceria em 1695, ano oficial de sua morte, ocorrida na Serra da Barriga, atualmente território alagoano.