Ler/Dort: o que você deve saber?

Se você é dentista, digitador, motorista, bancário, profissional de linha de produção ou faz movimentos repetitivos durante o trabalho, saiba que pode ser alvo de Ler/Dort (Lesões por Esforços Repetitivos/Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho). Caracterizada por uma evolução lenta, pode deixar o trabalhador incapacitado depois de um período sem tratamento ou de contínuo esforço.
Se você é dentista, digitador, motorista, bancário, profissional de linha de produção ou faz movimentos repetitivos durante o trabalho, saiba que pode ser alvo de Ler/Dort (Lesões por Esforços Repetitivos/Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho).
Caracterizada por uma evolução lenta, pode deixar o trabalhador incapacitado depois de um período sem tratamento ou de contínuo esforço.

Ler ou Dort?
“Na verdade, não existe nome certo ou errado. O que importa é o conceito: doenças ou afecções do sistema músculo-esquelético relacionadas a determinadas condições de trabalho”.

(dra. Maria Maeno,  pesquisadora Fundacentro - Fundação Jorge Duprat de Figueiredo e coordenadora do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador do Estado de São Paulo - Cerest)

Ler/Dort: quando surgiu?
No Brasil, os primeiros casos de Ler/Dort surgiram na década de 70, mas ganharam visibilidade nos anos 80 quando digitadores apresentaram os primeiros sintomas. Nesse período, foi chamada tenossinovite do digitador. Tenossinovite por ser a doença mais comum e atingia, principalmente, o punho.

A partir daí, os problemas foram descobertos em outras categorias profissionais, como a dos bancários, em 1990. De acordo com a evolução dos conhecimentos, passou a receber outros nomes. Em 1993, foi criado um protocolo técnico do governo do Estado de São Paulo que definia Ler (Lesões por Esforços Repetitivos). Mesmo sendo tradução literal do inglês Repetitive Strengh Insure (RSI), o INSS apropriou-se do termo e o tornou oficial.

De acordo com Plínio Pavão, Secretário de Saúde da Confederação Nacional dos Bancários (CNB- CUT), a doença não aparecia nas estatísticas. Uma ação sindical e dos profissionais da saúde fez com que ela se tornasse mais conhecida.

Entre as medidas de diminuição de custos do INSS, particularmente do Seguro Acidente do Trabalho (SAT), no tocante às Ler/ Dort, destaca-se a publicação de norma técnica, por meio da Ordem de Serviço 606 (OS 606). Pela CLT (Artigo 169), as doenças devem ser notificadas como do trabalho mesmo que só sob suspeita; pela OS 606, somente em caso de confirmação.

A Confederação Nacional dos Bancários e os profissionais de saúde iniciaram, mais uma vez, uma luta pela revogação da OS 606. Fato ocorrido apenas em dezembro de 2003 com a criação da Instrução Normativa 98 do INSS.


Ler/Dort: números

2001 18 mil casos
2002 22.311 casos
2003 23 mil casos
2004 27 mil casos
Fonte: INSS


Ler/Dort: sintomas
Os sintomas são diversos. Entre eles:

  • cansaço,
  • formigamento,
  • peso grande nas mãos e nos braços,
  • dor na coluna,
  • dor nos joelhos,
  • insônia.

Como prevenir?
A prevenção das Ler/Dort não pode ser baseada na mudança de comportamento do trabalhador. Se as situações de risco no ambiente de trabalho são determinantes na ocorrência do adoecimento, as ações de prevenção devem estar focadas nelas e não no trabalhador. “Para isso, deve haver vontade política da empresa e do Estado, pois a saúde do trabalhador deve ser incluída nas questões estratégicas do país”, conclui dra. Maria Maeno.

Saiba mais
Para ter mais conhecimentos sobre o tema, o MeuSalário indica os seguintes documentos e/ou referências bibliográficas:

    * Livro Saúde do Trabalhador no SUS, de Maria Maeno e José Carlos do Carmo. O capítulo 7 é destinado ao tema.
      Pode ser encontrado no site www.hucitec.com.br
    * Série Cadernos de Saúde do Trabalhador - CUT
      Nº 8 - Lesões por Esforços Repetitivos - LER
    * Série Cadernos de Saúde do Trabalhador - CUT
      Nº 9 - Prevenção da Ler/Dort - O que a ergonomia pode oferecer


Legislação

Depoimentos


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